Oficina de Educação financeira no Cras Praia do Canto.
Desde a infância, Ana Paula da Conceição Brás, de 39 anos, aprendeu uma lição que carregaria por toda a vida: a importância de guardar sempre uma parte do que recebia. Esse hábito, passado de mãe para filha, tornou-se a base para que ela enfrentasse os desafios financeiros de ser mãe solo de um menino de 11 anos com maior resiliência.
Hoje, essa mesma mentalidade é o pilar da oficina de educação financeira voltada a famílias em situação de vulnerabilidade, que dependem de programas como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), realizada na manhã desta quarta-feira (11), no Cras Praia do Canto.
A oficina é uma promoção do Programa Acessuas Trabalho da Secretaria de Assistência Social de Vitória (Semas), e tem por objetivo capacitar os munícipes atendidos nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) para gerenciarem a renda familiar, preparando-os para imprevistos e para a realização de planos de longo prazo.
Vivendo com a renda proveniente do Benefício de Prestação Continuada (BPC), Ana Paula contou que apesar de ganhar pouco, todo mês guarda dinehiro. "Não gasto dinheiro a toa. Ensino para o meu filho isso desde cedo. Ele sabe que se quiser comprar alguma coisa precisa guardar, juntar até ter o dinheiro todo. Antes de sairmos para comprar ele pergunta se o brinquedo é caro ou barato. Se não preciso, por que vou comprar?" declarou ela.
Ao ser questionada se a economia financeira tem um objetivo ou meta específica, Ana Paula respondeu de forma rápida e direta: "Sonho em comprar um apartamento. Ter um apartamento próprio para passar para o nome do meu filho e vivermos tranquilamente", disse ela.
Foto Divulgação
Oficina de Educação financeira no Cras Praia do Canto.
O controle financeiro de Ana Paula demonstrou ser exceção entre os participantes da oficina. A exemplo do que expressou dona Olívia da Silva Ramos, de 70 anos. "Não é gastar demais, gastar comida não é consumismo. Está tudo muito caro. Faço atividade física e o professor diz que tenho que me alimentar bem para aguentar e me movimentar", disse ela, expondo que mais de 50% do seu orçamento doméstico estava comprometido com empréstimo.
Após a oficina, dona Olivia disse que conseguia enxergar uma possibilidade de voltar a ter controle do seu BPC. A coordenadora do Acessuas Trabalho, Cremilda Astorga, enfatizou que a proposta é contribuir para que as famílias em situação de vulnerabilidade, majoritariamente, beneficiárias do Bolsa Família e BPC possam equilibrar o orçamento e planejar o futuro, promovendo a emancipação econômica.
A secretária de Assistência Social de Vitória, Soraya Mannato, enfatizou que a oficina inédita pode ser um divisor de águas na vida das famílias. "Ao promover a organização financeira das famílias estamos promovendo a proteção social. Estamos dando ferramentas e possibilidades para a autonomia financeira", disse.