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Cine Cras: cultura e lazer de graça para famílias acompanhadas pelo PAIF no Cras São Pedro
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Por Rosa Blackman (rosa.adrianaeira$4h064+pref.vitoria.es.gov.br), com edição de Andreza Lopes
Conhecer as próprias origens é o passo que fortalece a história de um povo e dá forças para continuar a lutar. Inspirada por essa premissa de resgate e fortalecimento, a equipe do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Judite Francisca Venâncio da Silva - Território São Pedro II, promoveu o Cine Cras, uma mostra de filmes voltada às famílias atendidas e acompanhadas pelo Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (Paif). As sessões são totalmente gratuitas.
O Cine Cras acontece mensalmente na unidade, abrindo espaço para debates sobre mobilização social, combate à violência contra crianças e adolescentes e a defesa dos direitos da pessoa idosa. Além da exibição dos filmes, também é ralizada uma roda de conversas com o grupo sobre a temática das produções.
Ao final da exibição, Suellen Cristina de Jesus Silva, de 32 anos, disse que ficou orgulhosa de conhecer a história da criação do bairro. "Minha mãe é desse tempo. Ela viveu na época das palafitas, do mangue. Ela pescava dentro de casa. Eu vendo isso fico emocionada. Estamos vivendo em condições melhores graças a essas pessoas", comentou ela, que mora no bairro Resistência há 16 anos.
Ao lado da filha Lunna Izabel, de 11 anos, Suellen disse ainda que uma coisa que chamou muito a sua atenção foi que essas pessoas estavam em sofrimento, em condições de extrema precariedade, mas ainda demonstravam felicidade, força e certeza de que iriam vencer. A declaração abriu espaço para uma pergunta sobre sua condição de vida e como chegou ao Cras, e a resposta foi imediata. Ela relatou que foi em busca do cadastro no CadÚnico, de um curso para a filha e do primeiro emprego na modalidade Jovem Aprendiz.
Suellen explicou que como artesã, trabalhando na confecção de bordados em chinelo, o dinheiro não é suficiente para cobrir as necessidades da família e, saber que o Cras também oferece cultura e lazer foi uma excelente descoberta. "As pessoas falam que cinema é R$ 10,00. Também acho barato, mas é 10 reais para minha filha, 10 reais pra mim. Mais a passagem de ida e volta para as duas. No final, esse dez reais compromete as compras no final do mês. Então, eu gosto de cinema, ela também, mas não vamos no cinema tradicional", relatou Suellen.
O sentimento de orgulho do passado também foi expressado por Mirla Almeida Martins, 36. "Foi muito interessante e importante participar dessa sessão de cinema. Agora, conhecendo melhor posso explicar para as crianças sobre as pessoas que tiveram coragem de lutar por melhorias", comentou Mirla.
Para Tagiele Cancela Oliveira, conhecer a história é saber que é possível mudar uma realidade. Moradora de Resistência desde os seis anos de idade, ela disse: "agora, gosto ainda mais de morar aqui. Eu tenho mais argumentos para defender nosso bairro. Existiram pessoas que acreditaram e lutaram bem antes de nós. O nome do meu bairro já diz muito, Resistência. Muitas pessoas tem a impressão que aqui só tem gente ruim, mas isso não é verdade. Aqui, tem resistência. Tem pessoas que lutam para conseguir progredir e por melhorias para todo o bairro".
A coordenadora do Cras São Pedro, Beatriz Oliveira, explicou que o cinema funciona como uma ferramenta de aproximação e garantia de direitos. Ela afirmou que o acesso à cultura e o debate sobre a história local fortalecem os vínculos comunitários e asseguram que essas famílias se reconheçam como detentoras de direitos sociais legítimos que o município busca proteger ativamente.
A gerente de Atenção à Família da Secretaria de Assistência Social de Vitória (Semas), Juliana Moura, destacou o impacto direto dessas ações na rotina e na autoestima das famílias atendidas. Ela ressaltou que levar o cinema e a reflexão histórica para dentro do Cras é uma forma de devolver a essas famílias a sua própria identidade e o orgulho de sua trajetória, visto que o Paif não atua apenas nas vulnerabilidades materiais, mas também no fortalecimento emocional e social de cada morador.
Carla Scardua, secretária de Assistência Social de Vitória, reforçou o compromisso do município em expandir o conceito de assistência social no território. Ela concluiu que a verdadeira diretriz da assistência social se faz quando o município une a segurança alimentar ao acesso à cultura, ao lazer e à memória histórica.







