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Mucane 25 Anos: Maria Verônica da Pas foi peça-chave para a história do museu

Publicada em 10/05/2018, às 15h39

Por Leo Vais (levsilva@vitoria.es.gov.br) | Com edição de Matheus Thebaldi


Elizabeth Nader

Museu do Negro Mucane

Mucane, que está completando 25 anos de história, leva o nome da militante negra Maria Verônica da Pas (Ampliar imagem)

Maria Verônica da Pas. O nome do Museu Capixaba do Negro é uma homenagem à primeira coordenadora da instituição, considerada por muitos a principal responsável pela existência do Mucane.

Mulher negra, médica psiquiatra, militante do movimento negro e propulsora do movimento de mulheres negras no Espírito Santo, Verônica foi precursora em várias frentes da luta feminina, além de ter sido coordenadora do museu até sua morte, em 1996.

"Foi uma mulher que esteve à frente do tempo que permaneceu aqui no Àiyé (terra). Foi mãe de dois filhos e adotou simbolicamente muitos outros ao nos ensinar valores como ancestralidade, identidade, corporeidade e tantos outros ensinamentos que constroem o ser negro, o ser negra", relembrou Edileuza de Souza, amiga de Verônica e militante, ao lado dela, no primeiro grupo de mulheres negras do Estado na década de 80.

Luta

Segundo Edileuza, foi o desejo de manter o Mucane vivo que moveu Verônica no processo de construção do espaço.

"Verônica era uma mulher negra militante antes de tudo. Foi a sua militância que possibilitou idealizar e construir o Mucane como espaço de memória, história e identidade negra. A vontade estava inspirada no que ela leu, no que ela vivenciou nas viagens, enfim, na vida, sempre marcada pela busca de uma sociedade mais justa, fraterna, pelo fim do racismo e discriminação racial. Pautou a luta contra o racismo e a discriminação racial como elemento vital da cidadania negra".

Memória

Médica de formação, teve na sua determinação o foco para montar um espaço de referência para a população negra. "Acreditar que o Espírito Santo pudesse consolidar um espaço de memória, de territorialidade para o povo negro. Verônica acreditava que o Mucane abrigaria acervos, ideias, histórias, memórias e possibilidades para a construção da identidade do povo negro capixaba e da Diáspora".

Identidade

Além de figura essencial para a existência do Mucane, Verônica era uma mulher de frente em outras lutas. "Sua militância estava calcada em eixos de ancestralidade, identidade, cidadania e afetos. Por isso, a luta do movimento negro e do movimento de mulheres como luta de direitos humanos. A sua atuação, na área de saúde mental, por exemplo, estava ligada diretamente à questão da humanização das pessoas, porque o racismo retira de nós essa possibilidade de sermos humanos", disse Edileuza.

Autoestima

Leonardo Silveira

Exposição UJUZI no MUCANE - Museu Capixaba do Negro

Museu demarca a identidade negra capixaba e consolida um espaço de memória do povo negro (Ampliar imagem)

Verônica também foi transgressora na estética ao reafirmar suas beleza e identidade feminina negra. Edileuza considera a convivência com ela fundamental para construção da sua estima, de sua identidade e militância enquanto mulher negra.

"Ela foi pioneira na estética negra capixaba, usou Black Power, Dread Look, usou muitos cortes de cabelos, todos esses valorizando sua estética e beleza. Ela rompeu com preconceitos de gênero e racial. A sua estética gritava pelo respeito às diferenças, seu envolvimento e sua sensibilidade possibilitaram transformações e encantamento. Seu contato com a militância para além das fronteiras do Brasil trouxe a consciência e a necessidade para se pensar a diversidade étnico-racial de forma livre dos padrões esteticamente impostos".

Mucane

Ela finalizou: "O Mucane é um espaço de consciência, de memória, de pesquisa, de produção. Um espaço que demarca a identidade negra capixaba, e eu espero que esse espaço não seja para exaltar instrumentos que serviram para destruir nossa identidade negra como insistem algumas pessoas em enaltecer objetos de tortura como sendo a única memória negra”.

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